O tracoma é uma infecção ocular crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. A doença compromete principalmente a conjuntiva, membrana que reveste a parte interna das pálpebras, e pode se prolongar ou reaparecer ao longo do tempo quando ocorrem novas infecções.
Nas fases iniciais, o tracoma pode provocar vermelhidão, irritação, coceira, lacrimejamento, secreção, sensação de corpo estranho e sensibilidade à luz. Algumas pessoas, entretanto, podem apresentar poucos sintomas, o que reforça a importância da avaliação ocular em regiões onde a doença ocorre com maior frequência.
Quando as infecções se repetem durante vários anos, podem surgir cicatrizes na parte interna das pálpebras. Com a progressão da doença, a margem palpebral pode se voltar para dentro e fazer com que os cílios raspem continuamente sobre a córnea. Essa condição provoca dor, inflamação e lesões que podem formar opacidades, reduzir a visão e, nos casos mais avançados, causar cegueira irreversível.
A transmissão acontece pelo contato com secreções dos olhos ou do nariz de uma pessoa infectada. Pode ocorrer diretamente pelas mãos ou indiretamente por meio de toalhas, lenços, roupas de cama e outros objetos contaminados. Algumas moscas também podem transportar mecanicamente a secreção entre as pessoas.
O tracoma é mais frequente em locais com dificuldade de acesso à água, saneamento inadequado, higiene insuficiente e maior aglomeração de pessoas. As crianças costumam apresentar infecção ativa com maior frequência e podem contribuir para a circulação da bactéria dentro da família e da comunidade.
O diagnóstico é realizado por meio do exame das pálpebras e da superfície ocular. O tratamento da infecção ativa utiliza antibióticos prescritos pelo serviço de saúde. Quando os cílios já estão voltados contra o olho, pode ser necessário tratamento cirúrgico para impedir novas lesões na córnea.
A prevenção envolve lavar frequentemente o rosto e as mãos, não compartilhar toalhas ou objetos de uso pessoal, manter adequada higiene facial e melhorar as condições de acesso à água e ao saneamento. A estratégia internacional de controle também reúne tratamento com antibióticos, cirurgia dos casos avançados e medidas ambientais destinadas a interromper a transmissão.