O herpes ocular é uma infecção que pode ser provocada principalmente pelo vírus herpes simples, sobretudo o HSV tipo 1, ou pelo vírus varicela-zóster, também relacionado à catapora e ao herpes-zóster. Outros integrantes da família dos herpesvírus incluem o citomegalovírus, o vírus Epstein-Barr e os herpesvírus humanos 6, 7 e 8.
Como diferenciar o herpes ocular de uma conjuntivite comum?
As duas condições podem causar sintomas semelhantes, como vermelhidão, lacrimejamento, ardência, sensação de corpo estranho, coceira e sensibilidade à luz. Na conjuntivite viral comum, o quadro frequentemente começa em um olho e, depois de alguns dias, alcança o outro. No herpes ocular, é mais comum que a manifestação permaneça em apenas um dos olhos.
Como os sinais podem ser muito parecidos, a diferenciação depende do exame realizado pelo oftalmologista com o biomicroscópio. A automedicação, principalmente com colírios inadequados, pode agravar a infecção e aumentar o risco de sequelas visuais.
Por que a doença geralmente aparece em somente um olho?
Depois da primeira infecção, o vírus pode permanecer inativo nos gânglios sensoriais. Quando ocorre uma reativação, ele percorre novamente o trajeto de um nervo até alcançar tecidos como a pele ao redor dos olhos, a córnea ou a íris. Como esse percurso costuma se repetir do mesmo lado, as manifestações geralmente permanecem unilaterais.
O herpes ocular pode voltar?
Sim. A primeira infecção pelo herpes simples pode ocorrer com poucos sintomas, enquanto a primeira infecção pelo vírus varicela-zóster costuma provocar catapora. Após essa fase, os vírus podem permanecer em estado de latência durante muitos anos.
Viroses, febre, redução da imunidade, exposição excessiva ao sol, traumas, procedimentos cirúrgicos, alterações odontológicas e períodos de estresse físico ou emocional podem estar associados à reativação. Quando isso acontece, o vírus volta a alcançar os tecidos periféricos e pode produzir um novo episódio de herpes ocular.
Como reduzir os riscos?
Todo quadro de olho vermelho deve ser avaliado pelo oftalmologista, pois diferentes infecções virais exigem tratamentos específicos. Evitar a automedicação é fundamental para não mascarar ou agravar a doença.
Pacientes com episódios recorrentes podem precisar de uma investigação mais detalhada da imunidade. Em determinadas situações, o médico também pode indicar medicamentos profiláticos para manter o vírus inativo e reduzir a possibilidade de novas manifestações.
Entre os cuidados gerais estão lavar as mãos com frequência, evitar coçar os olhos, não compartilhar objetos de uso pessoal e procurar atendimento rapidamente diante de vermelhidão ou alterações visuais.
Quais são as complicações mais graves?
A córnea é uma das estruturas mais frequentemente comprometidas, causando a chamada ceratite herpética. A doença pode apresentar manifestações infecciosas ou inflamatórias, superficiais ou profundas, exigindo tratamentos diferentes conforme a região atingida.
Quando não é tratada adequadamente, a ceratite pode deixar opacidades importantes na córnea e reduzir permanentemente a visão. Em situações mais graves, pode ocorrer afinamento ou até perfuração corneana. Outras possíveis complicações incluem glaucoma, catarata, alterações da íris e úlceras neurotróficas.
Qual é o tratamento?
A escolha do tratamento depende do aspecto, da localização e da extensão das lesões. Podem ser utilizados medicamentos antivirais por via oral ou em pomada oftálmica. Quando existe uma úlcera na córnea, colírios antibióticos também podem ser indicados para prevenir uma infecção bacteriana secundária.
O tempo até a procura por atendimento influencia diretamente o prognóstico. Quanto mais cedo o diagnóstico for estabelecido e o tratamento correto iniciado, maior será a possibilidade de evitar cicatrizes e outras sequelas importantes para a visão.