A ceratectomia e a aplicação de membrana amniótica são recursos utilizados para tratar alterações que prejudicam a regularidade, a cicatrização ou a estabilidade da superfície da córnea. Conforme a doença e sua profundidade, essas técnicas podem ser realizadas separadamente ou combinadas para remover tecidos comprometidos e favorecer a formação de um novo revestimento corneano.
A ceratectomia consiste na retirada controlada de uma porção superficial da córnea que apresenta irregularidade, degeneração, depósito, cicatriz ou aderência inadequada do epitélio. Ao remover esse tecido alterado, o procedimento cria condições para que a superfície se regenere de maneira mais uniforme.
Essa técnica pode ser considerada em casos selecionados de erosões recorrentes, distrofias superficiais, cicatrizes pouco profundas e outras alterações limitadas às camadas anteriores da córnea. Estudos clínicos demonstram que a ceratectomia superficial pode favorecer a cicatrização completa do epitélio e melhorar sintomas, regularidade corneana e qualidade visual, embora algumas doenças possam reaparecer com o tempo.
Quando a superfície ocular está muito inflamada, fragilizada ou apresenta dificuldade persistente de cicatrização, a membrana amniótica pode ser utilizada como um revestimento biológico temporário. Ela recobre a área tratada, protege o tecido em regeneração e cria um suporte para o crescimento das novas células epiteliais.
A membrana é obtida da camada mais interna da placenta após partos previamente selecionados e passa por processos específicos de avaliação, preparação e conservação antes do uso oftalmológico. Ela não substitui definitivamente a córnea, mas funciona como uma estrutura auxiliar durante o período de reparação da superfície ocular.
Sua aplicação pode ser indicada em defeitos epiteliais persistentes, úlceras corneanas, queimaduras, alterações neurotróficas e outras situações nas quais a cicatrização não ocorre adequadamente com o tratamento clínico. Estudos com pacientes que apresentavam defeitos epiteliais resistentes a medicamentos observaram fechamento da superfície ocular após o uso da membrana, embora o resultado também dependa do controle da infecção, da inflamação e da doença que originou a lesão.
Ceratectomia Superficial Associada à Membrana Amniótica
Inicialmente, o tecido irregular ou comprometido é removido de maneira controlada. Em seguida, a membrana amniótica pode ser posicionada sobre a área tratada para protegê-la e oferecer suporte à regeneração do epitélio. A associação busca formar uma superfície corneana mais estável, regular e menos sintomática.
A remoção do tecido superficial alterado, associada à proteção da membrana amniótica, favorece uma cicatrização mais regular e pode diminuir o desconforto ocular.